Capítulo 4

50 tons de clichês +1

No segundo dia após a internação, um senhor careca, fofo e de olhos gentis foi trazido para dividir o quarto de Noah. Ele se apresentou como Elias, e sua presença, apesar da fragilidade aparente, irradiava uma calma surpreendente.

Naquela tarde, enquanto eu estava sentada ao lado de Noah, com o coração apertado, Elias tossiu levemente e me olhou com um sorriso sereno.

– É difícil, minha jovem, ver quem amamos assim. (ele disse, a voz rouca e ao mesmo tempo reconfortante)

– É a pior dor que já senti. (confessei, as lágrimas voltando a marejar meus olhos) 

Clichê número 17: “A dor da possível perda é desesperadoramente insuportável”.

Elias suspirou, um brilho nostálgico em seus olhos. – Eu entendo. Perdi minha amada Val há alguns anos. Vivemos uma linda história de amor, daquelas que parecem ter saído de um livro. Enfrentamos muitas tempestades juntos, mas nosso amor e o nosso propósito nos manteve e sempre foi nosso farol.

Ao longo dos dias que se seguiram, Elias compartilhou comigo sua história com Valéria. Falou de como se conheceram jovens, dos sonhos que construíram juntos, das dificuldades que superaram lado a lado e da profunda conexão que os unia. Sua voz se enchia de ternura ao descrever a força e a beleza do amor que compartilharam, mesmo diante da dor da perda. 

Clichê número 18: “Uma história de amor para reacender a esperança”.

Enquanto ouvia Elias, eu comecei a ver minha própria situação sob uma nova perspectiva. O amor que eu sentia por Noah era real, forte, capaz de superar obstáculos. O medo de perdê-lo era paralisante, mas a lembrança do nosso primeiro encontro, dos nossos risos e dos nossos planos para o futuro me dava um fio de esperança. 

Clichê número 19: “A esperança renascendo em meio ao sofrimento”.

Os dias se transformavam em semanas, e Noah permanecia em seu sono profundo. A angústia em meu peito crescia a cada instante. Eu me pegava pensando em um mundo sem ele, e a ideia me aterrorizava. Minha história parecia se misturar com a de Elias, o medo da perda iminente pairando sobre nós dois. 

Clichê número 20: “O medo da perda unindo corações em sofrimento”.

Um dia, Elias me chamou para perto de sua cama. Ele estava mais fraco, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade especial.

– Clara (ele disse, sua voz um sussurro suave) – Há uma história de amor ainda maior que a minha e a de Valéria. Uma história que transcende a vida e a morte, o sofrimento e a dor.

Ele então começou a me falar sobre Jesus. Contou-me sobre o sacrifício Dele por amor à humanidade, sobre a Sua morte na cruz para nos dar a salvação e a vida eterna, sobre o Seu amor incondicional e a esperança que Ele oferece a todos que Nele creem. 

Clichê número 21: “A mais linda história de amor de todos os tempos”.

Enquanto Elias falava, suas palavras penetravam meu coração como um bálsamo. Pela primeira vez em semanas, senti um raio de paz em meio à tempestade. A história de Jesus era uma história de entrega total, de um amor tão profundo que se dispôs a dar a própria vida. E essa entrega, essa rendição a um amor maior, me trouxe um alívio inesperado. 

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